28 de abril de 2014

A primeira prancha

Aí está, a primeira prancha do Diogo. Decidi, com alguma antecipação é certo, mandar fazer uma prancha para o Diogo.
Não sei sequer se algum dia vai querer experimentá-la (pelo menos por curiosidade, acho que sim), se vai gostar ou não, se vai querer continuar ou não. Pouco interessa. A última palavra será dele. Não é minha intenção querer força-lo a fazer surf ou qualquer outro desporto de ondas, mas é minha intenção (e não tenho qualquer problema em admiti-lo) tentar influenciá-lo para que isso aconteça. São quase 25 anos ligado às ondas e passado todos estes anos, tenho muita legitimidade para opinar sobre a influência que isso teve em mim. Na adolescência, um período potencialmente perigoso nas escolhas que fazemos, foi quando me foquei seriamente em tudo o que era surf / bodyboard, e tenho a certeza de que isso me desviou de outros caminhos pelos quais vi amigos meus optarem. Sabia na altura, que qualquer comportamento menos correcto da minha parte seria punido, pelos meus pais, com a inibição de poder ir à praia durante o fim de semana, e se as ondas estivessem boas isso seria equivalente a uma tortura... Durante a semana a minha cabeça mantinha-se nas ondas, estava focado para ali e isso desviava a minha atenção de comportamentos que me colocariam em problemas. Foi o melhor que me podia ter acontecido. Mais tarde, na "casa dos vintes", veio mais um lado positivo. A estudar e a trabalhar aos fins de semana e períodos de férias escolares, comecei a juntar o meu dinheiro e a viajar, lá está, por causa das ondas. E foi pelas ondas que conheci grande parte do mundo. Viajei para longe, às vezes muito longe mesmo, sempre com o objectivo das ondas. Isso fez-me bem. Comprava um bilhete de avião somente, e depois desenrascava-me. Cresci com isso. É este o tipo de influência que gostaria que o surf viesse a ter no Diogo e, se acontecer, sei que o Diogo vai ser feliz.

Agora a prancha: feita por encomenda ao talentoso João Brilhante. Um bloco de esferovite, trabalhado manualmente, reforçado por dentro, com stringers, e por fora, com nylon e tinta epoxy. Uma prancha de aprendizagem, feita por quem sabe o que faz. Já o fiz pessoalmente mas aproveito aqui também, por escrito, para agradecer ao João o empenho que colocou na realização da prancha.



























7 comentários:

  1. E fez muito bem, Marco !
    Eu também, a partir dos dez anos, só pensava na Vela !
    Só parei quando fiz o 1º enfarte.
    Tive medo de ter outro quando andasse no mar alto.
    Passei a dirigente e foi outra experiêcia altamente enriquecedora, até parar por considerar que era necessário dar o lugar a gente mais nova.
    Aí, virei-me para a Fotografia !
    Tinha que ter um hobby...

    Um abraço e desejo que o Diogo lhe siga as pisadas ( e o exemplo ).

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  2. Que pressa! Mas enfim, se for também o melhor para ele... força! DI PARA AS ONDAS!

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  3. Tenho a certeza que só o fará bem. Que melhor ligação com a natureza?!
    Não o tenho visto na natação... essa parte é fundamental antes de chegar ao cimo da prancha :)

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    1. ele começou a fazer umas birras na piscina e resolvemos dar um tempo e voltar a tentar brevemente :)

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  4. A mãe gostava que o Diogo apanhasse o gosto pelas ondas e partilhasse essa paixão com o pai, mas se não sempre podemos ir ver o pai e fotografar as suas acrobacias, peripécias e quedas :)

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mimem o Diogo!